sexta-feira, 23 de julho de 2010

Asas Escondidas

Em um lugar distante, morava uma menininha de cabelo longos e castanhos que não acreditava em anjos de maneira nenhuma, enquanto sentava no muro na frente da sua casa, reparava nas árvores, no modo como algumas podiam quase tocar o céu e pensava sozinha: 

Como alguém pode viver apenas para me proteger? Para me guiar? Para me fazer acreditar que o impossível não existe?

Ninguém pode querer se importar tanto assim com alguém.

Um dia então enquanto brincava distraída pela frente de casa, um homem nem tão alto, nem tão baixo, com o sorriso mais bonito que já viu na sua vida, se aproximou e desde então não saiu mais de perto da menininha que se deslumbrou após vê-lo com um olhar tão simples e sincero. Com ajuda do homem ela conseguiu escalar as árvores grandes e quando chegava no topo não sentia mais medo de cair, esticava os braços e acreditava que havia conseguido tocar um pedaço do céu, aprendeu a dormir no escuro porque sabia que ele estava lá protegendo-a dos monstros, afastando seus pesadelos, passou acreditar em si mesma e que seus sonhos podiam ser realizados, bastava acreditar. 


As folhas das árvores haviam secado, caído e depois crescido mais verdes e assim seguiu por muito tempo, enquanto o homem de sorriso bonito a guiou, porém ele não podia a guiar para sempre, a menininha já teria aprendido tudo que precisava para seguir sozinha, mas sabia que seria doloroso seguir sem o olhar simples e sincero do homem.


Então o homem confessou um segredo a menininha, disse que era um anjo, o seu anjo, a menina não se surpreendeu respondeu tranquila que sabia, que só mesmo um anjo podia ajuda-la a tocar o céu. O que a deixava-a triste é que também sabia que ele teria que partir, pois os anjos são assim, nós fazem acreditar neles, em nós e no impossível, depois é a nossa vez de manter isso. O homem-anjo sorriu por ver que a menininha teria aprendido mais do que ele havia ensinado, lhe deu um abraço e não teve nenhum adeus, pois ele ainda olharia por ela onde quer que ela fosse, enfim deu seu par de asas que havia escondido, agora era a vez da menininha voar.

Sorriso sem graça

Hoje a noite quando te encontrei, não tive medo de falar, tudo que eu sempre quis te dizer, você estranhou mas logo entendeu que foi só para te deixar sem graça, pra você sorrir do jeito que eu gosto. Contei meus segredos, ouvi teus segredos, prometi guardar todos como guardo os meus, você me abraçou e eu não senti mais nenhum medo, mas tive você vontade de fazer você perder os seus. Em silêncio ao teu lado, senti o cheiro do mar que estava calmo e seguro assim como você, olhei para o céu e descobri que nem as estrelas tem esse brilho que só vejo em você. Me perdi te olhando, me perdi te amando, ouvi você reclamar de algo sem sentido, ri contigo de alguma bobagem, das tuas bobagens, senti o gosto do teu beijo, do nosso beijo, te disse baixinho te amo, você respondeu sorrindo, não senti pressa de desviar o olhar dos teus olhos, poderia passar uma noite assim sem me cansar, você se levantou decidindo me levar até em casa, senti tuas mãos procurarem as minhas, senti alegria somente por estarmos de mãos dadas. Enquanto nós caminhávamos o tempo parecia ter desaparecido, os outros não existiam. Eu só conseguia enxergar você e era a melhor visão que eu poderia querer. Quando chegamos, não quis te deixar ir embora, como nunca quis que fosse, deitei no teu colo, dormi sem me preocupar em sonhar porque o melhor sonho eu já estava vivendo: você.

Manhã cansada


Rodrigo acordou cansado, mais do que na manhã passada onde o dia teria sido aparentemente normal, talvez até demais. Além de uma pequena dor nas costas, algo o incomodava, no fundo sabia que era apenas o vazio que a sua vida havia se tornado depois que Ana teria o deixado, esquecendo algumas de suas coisas que agora lhe faziam companhia. Mentia para si mesmo que a vida continuava e o passado seria enterrado junto com aquela carta que ela deixou.


“Se eu e você pudéssemos voltar a ser nós, eu te faria feliz! feliz como ninguém pode te fazer, mas tenho me sentido sozinha ao teu lado e assim não posso continuar. Espero então, que você fique bem da melhor forma possível, mas que em nenhum momento esqueça de tudo que passamos e tudo que um dia eu fui em sua vida."

- maldita carta – esbravejou após ler mais uma vez enquanto tomava café numa xícara branca com detalhes azuis.

Eu só queria saber como ela consegue me fazer pensar que tenho toda a culpa? Me fazer repensar mil coisas, me sentir um lixo e ainda me faz quere-la mais ainda por isso? O amor é uma adorável palhaçada. Repetia baixinho para si mesmo enquanto pegava o telefone, na esperança de ouvir a voz de Ana e voltar a preencher a outra caneca de café que era dela.